Acabei de assistir o mini-doc “Por toda a minha vida” do Raul Seixas que foi exibido a alguns anos pela rede Globo (não assista Tv). 

   São várias conclusões e idéias que vem a mente após entender um pouco mais da vida de Raul Seixas. Mas em geral é um degradê intenso. Do brilho puro da genialidade musical repleta de conteúdo para um vórtice obscuro e denso de alcoolismo que o leva para o fim da vida.

   Raul Seixas compôs algumas das maiores obras em termos de energia e profundidade. Canções como “Tente outra vez”, “Metamorfose Ambulante” e “Gitá” são tão, mas tão perfeitas no seu âmbito revolucionário, incrivelmente sincronizadas de forma que tudo que precisava ser dito, ali está. Fora Raul, talvez só Renato Russo atingiu tão em cheio a sociedade popular brasileira com tamanha sinceridade e utilidade. Mas ver o mesmo genial compositor de tais obras se definhar pelo uso compulsivo e doentio de alcool é extremamente triste. Extremamente triste. Isso mostra que além de qualquer conteúdo que você tenha demais em um ponto, você pode estar faltante com outros 90% de você mesmo, de forma que perder o controle não é difícil. É uma pena ele não ter levado a sério sua própria vida quando começou a ver para onde estava indo.


Energia, da mais sincera para você Raul.